quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Talvez soe apenas como mais um raquítico lamento pela triste situação nessa cidade, e talvez seja realmente apenas isso, mas é impossivel viver aqui sem passar um dia que seja sem pensar nesse horror urbano. Uma cidade simplesmente não pode planejar toda sua infra-estrutura pensando em receber turistas (o que ainda faz muito mal, a não ser que você possa pagar muito) e reservar à maior parte da sua população a crueza da lei. E uma lei historicamente imposta via crueldade, autoritarismo e indiferença. Avanços foram feitos, soluções têm sido tentadas, mas a lógica tacanha de que "problema social é caso de policia" ainda é válida em grande parte do Rio de Janeiro. A violência policial e a impunidade dos oficiais que deveriam ser responsabilizados pela negligência diante da mesma continua; O secretário de segurança ainda acha o Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa e pacífica, porque os indíces de criminalidade nas zonas nobres são comparáveis às de países nórdicos e as favelas (onde se concentra a população pobre do Rio) seriam "bolsões de violência" que não deveriam entrar nos registros. A mesma lógica de Billy The Kid, que, quando perguntado sobre quantos assassinatos cometeu, contabilizava vinte e uma mortes, "sem contar mexicanos". Esses não contam. Favelados não contam. Vagabundos não contam. recentemente, o prefeito Eduardo Paes (que parte da esquerda preferia ao Gabeira) anunciou que estuda um jeito de acabar com o salvador "sopão" servido à população indigente. Por que? Motivos de ordem. Porque um morador da zona sul deve ter reclamado que a fila do sopão ficava no caminho de seu Honda Civic. Nada disso faz sentido. Jogos Olímpicos aqui nao fazem sentido. A Rua da Glória não faz sentido. Beltrame não faz sentido.
O que temos no Rio não é uma guerra. É uma miopia coletiva.

domingo, 29 de novembro de 2009

One More Cup of Coffee (Bob Dylan)

Sua respiração é doce
seus olhos são como duas jóias no céu
sua postura é ereta, seu cabelo é macio
no travesseiro onde você repousa,
mas eu não sinto afeição
nem gratidão ou amor.
Sua lealdade não é para mim,
mas para as estrelas do céu


Seu pai é um foragido
e um traficante
Ele te ensinou como selecionar e escolher
E utilizar uma faca
Ele supervisiona seu reino
E assim nenhum estranho se intromete
Sua voz treme enquanto ele chama
Por mais um prato de comida

Mais um copo de café para a estrada
Mais um copo de café para eu ir
Descendo o vale...

Sua irmã vê o futuro
Assim como você e sua mãe
Você nunca aprendeu a ler ou escrever
Não há livros na sua estante
E seu prazer não conhece limites
E sua voz soa como a de uma cotovia
Mas seu coração é como um oceano
Misterioso e escuro

Mais um copo de café para a estrada
Mais um copo de café para eu ir
Descendo o vale...














































































quarta-feira, 25 de novembro de 2009

“A política está tão repulsiva que vou falar de sexo”

Por Arnaldo Jabor (que não considero um bom crítico , mas que dessa vez ....leiam)



Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha. As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São apenas para “ver”.


Que nos prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones? Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não estão preparados. As mulheres dançam frenéticas na
TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura. Os machos estão com medo das “mulheres-liquidificador”.

O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu Deus!) é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a “Valentina”, a “Barbarela”, a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiperatômico tesão.

Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há. Os “malhados”,os “turbinados” geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Zafir para o Robô-Xuxa.

A atual “revolução da vulgaridade” regada a pagode, parece “libertar” as mulheres. Ilusão à toa. A “libertação da mulher” numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: super-objetos. Se achando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor, carinho e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são “areia demais para qualquer caminhãozinho”.

Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens. Eles vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme “jamesbondiano” dos anos 60. Não há mais o grande “conquistador”. Temos apenas os “fazendeiros de bundas” como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por deusas impossíveis.

Ah, que saudades dos tempos das “bundinhas e peitinhos” “normais” e “disponíveis”... Pois bem, com certeza a televisão tem criado “sonhos de consumo” descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu). Mas ainda existem mulheres de verdade.
Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o que tem “dentro de casa”, o seu trabalho. E, acima de tudo, mulheres com quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem medo de parecer um “chato” ou um “cara metido.

Penso que hoje, num encontro de um “turbinado” com uma “saradona” o papo deve ser do tipo: - “Meu”...”o professor falou que eu posso disputar o Iron Man que eu vou ganhar fácil.” “- Ah, meu...o meu personal trainner disse que estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica.” E a música??? Só se for o último sucesso(???) dos Travessos ou Chama-chuva...e o “vai Serginho”???

Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos!
Não comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por natureza! Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa de americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e bonito por natureza.
E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês “malharem” e ficarem iguais à Feiticeira, fiquem... Igual a Feiticeira dos seriados de TV.

FAÇAM-OS SUMIREM DA SUA VIDA!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A propósito do vinho

Baudelaire foi, o quanto pôde, um entusiasta do vinho como o mais instigador dos venenos humanos. Impossível para meu ser não concordar. O sabor único da bebida, a sensação vitoriosa enquanto ele desliza pela garganta agora aquecida, a espera pelo torpor, ela mesmo inebriante... Todos esses elementos transformam o vinho em uma bebida sem par na história. Para nosso poeta, o vinho acompanhou os momentos mais sublimes que puderam ser noticiados. Os tons do vinho colorem o quer que seja tocado por ele. Acredito que o vinho possa ser tratado como uma preferência pessoal, mas o álcool em geral tem esse poder, essa virtude de desvirtuar-nos no momento e na maneira certa, entortando caminhos retos e colocando malícia onde só há convenções. De modo a justificar por exemplos sua paixão pelo vinho, nosso poeta narra um pequeno caso que lhe aconteceu. Numa exposição de arte, defrontou-se com uma pintura horrível, estéril em sua moldura, cercado de imbecis que se compraziam em exaltar a monotonia daquela criação, tão tediosa em sua virtuosidade insípida. Aproximou-se, e procurou saber um pouco mais sobre “o caráter moral do homem que produzira tão criminosa extravagância” (excelente descrição, não acham?). Baudelaire já imaginou que a pessoa seguramente deveria ser “fundamentalmente mau”. Acertou. Dentre os hábitos do infame pintor, ele descobriu que “o monstro se levantava regularmente antes do nascer do dia, que arruinara a sua governanta, e que só bebia leite!”.

Sobriedade faz mal à vida, e a tudo que a faz valer a pena.

(Baudelaire. "Os Paraísos Artificiais".)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dos Tres Mal-amados



O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

Joao Cabral de Melo Neto

sábado, 15 de agosto de 2009

AMIZADE

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas
que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos
que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia,
das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano,
enfim… do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…
Aí, os dias vão passar, meses…anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo….
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
- “Quem são aquelas pessoas?”
Diremos…que eram nossos amigos e…… isso vai doer tanto!
“Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!”
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……
Quando o nosso grupo estiver incompleto…
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo…..
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades….
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos
os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Fernando Pessoa

sábado, 1 de agosto de 2009

Recordações

By José Saramago

Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos. Esta frase, brotada da minha cabeça há muitos anos, no fervor de uma das múltiplas conferências e entrevistas a que o meu trabalho de escritor me obrigou, além de me parecer, imediatamente, uma verdade primeira, daquelas que não admitem discussão, reveste-se de um equilíbrio formal, de uma harmonia entre os seus elementos que, pensava eu, contribuiria em muito para uma fácil memorização por parte de ouvintes e leitores. Até onde o meu orgulho vai, e apraz-me declarar que não chega muito longe, envaidecia-me ser o autor da frase, embora, por outro lado, a modéstia, que também não me falta de todo, me sussurrasse de vez em quando ao ouvido que tão certa era ela como afirmar com toda a seriedade que o sol nasce a oriente. Isto é, uma obviedade.

Ora, até as coisas aparentemente mais óbvias, como parecia ser esta, podem ser questionadas em qualquer momento. É esse o caso da nossa memória, que, a julgar por informações recentíssimas, está pura e simplesmente em risco de desaparecer, integrando-se, por assim dizer, no grupo das espécies em vias de extinção. Segundo essas informações, publicadas em revistas científicas tão respeitáveis como a Nature e a Learn Mem, foi descoberta uma molécula, denominada ZIP (pelo nome não perca), capaz de apagar todas as memórias, boas ou más, felizes ou nefastas, deixando o cérebro livre da carga recordatória que vai acumulando ao longo da vida. A criança que acaba de nascer não tem memória e assim iríamos ficar nós também. Como dizia o outro, a ciência avança que é uma barbaridade, mas eu, a esta ciência não a quero. Habituei-me a ser o que a memória fez de mim e não estou de todo descontente com o resultado, ainda que os meus actos nem sempre tenham sido os mais merecedores. Sou um bicho da terra como qualquer ser humano, com qualidades e defeitos, com erros e acertos, deixem-me ficar assim. Com a minha memória, essa que eu sou. Não quero esquecer nada.

sábado, 11 de julho de 2009

Reflexão de Pensées Pascal


" As ciências têm dois pontos extremos que se tocam. O primeiro, é o estágio, de pura ignorância natural onde se encontram os homens ao nascer. O outro, é aquele a que chegam as grandes almas, depois de pecorrer todos os caminhos do saber e descobrir que nada sabem, se encontrando no mesmo estágio de ingnorância de onde partiram: sendo esta, entre tanto, uma ignorância sábia, que se conhece".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

essa coisa de crise existencial não acontece com engenheiros

quando entramos na Era de Aquário, o anjo torto de Drummond pediu ajuda pro anjo safado do Chico e temperaram o mundo com os sete pecados capitais e mais tantos outros vícios, ai o mundo ficou todo errado. essa tal de pós-mudernidade transformou tudo numa sociedade liquidamente global baumaniana onde a normalidade é extremamente pirada e vice-versa. o negócio é tão complexo que não dá mais pra definir quem é bandido e quem é mocinho, é tudo uma questão sociológica, mas a lógica da sociedade mesmo ninguém sabe como é que é. mas eu sei, engenheiro não tem crise existencial. e eu, às vezes não sei se escolhi as ciências humans por uma inclinação à priori, ou se sou assim porque fiz ciências humanas.

domingo, 21 de junho de 2009

Assim falou Zaratustra

" O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem - uma corda sobre um abismo"
É o perigo de transpô-lo, o perigo de estar a caminho, o perigo de olhar para trás, o perigo de tremer e parar.
O que há de grande, no homem, é ser ponte, e não meta: o que pode amar-se, no homem, é ser transição e um ocaso.
Amo os que não sabem viver senão no ocaso, porque estão a caminho do outro lado.
Amos os grandes desprezadores, porque são os grandes venenadores e flechas pela outra margem.
Amo aqueles que, para o seu ocaso e sacrifício, não procuram, primeiro, um motivo atrás das estrelas, mas se sacrificam à terra, para que a terra, algum dia, se torne super-homem.
Amo aqueles que vive para adquirir o conhecimento e quer o conhecimento para que, algum dia, o super-homem viva. E quer, assim, o seu próprio ocaso.
Amo aquele que trabalha e faz inventos para construir a casa do super-homem e preparar para ele a terra, os animais e as plantas: porque, assim, quer o seu próprio ocaso.
Amo aquele que ama a sua própria virtude: porque a virtude é vontade de ocaso e flecha do anseio.
Amo aquele que prodigaliza a sua alma, não quer que lhe agradeçam e nada devolve: pois é sempre dadivoso e não quer conservar-se .
Amo aquele que justifica os seres futuros e redime os passados: porque quer perecer dos presentes.
Amo aquele que pune o seu Deus, porque o ama: pois deverá perecer da ira do seu Deus.
Amo aquele cujo o espírito e coração são livres: assim, nele a cabeça é apenas uma víscera do coração, mas o coração o arrasta para o ocaso.
Amo todos aqueles que são como pesadas gotas caindo, uma a uma, da negra nuvem que paira sobre os homens: prenunciam a chegada do raio e perecem como prenunciadores.
Vede, eu sou um prenunciador do raio e uma pesada gota da nunvem; mas esse raio chama-se super-homem.

Um livro para todos e para ninguém
Nietszche

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tomo café logo existo

Receita do dia pra ficar ligadão: essa aqui é pro pessoal que precisa ficar acordado sem ficar doidão

uma chícara com café até a metade
acrescente uma colher de chá de pó de guaraná
e uma pitada de canela

eu prefiro sem açucar, mas sei que é treche

adoce a sua prefêrencia... mas pra ficar com um sabor bem bom, use açucar mascavo


aprecie com moderação!!!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Juro que me lembro daquelas noites

Quando eu me perco dentro de você pra mim é o paraíso
A vida só tem sentido quando você se perde.
Quando estou dentro de você
É ausência de sentidos,
Ainda que a maconha,
A vodka
E o tesão
Tenham aguçado meus sentidos.
Eu estou perdido.
Você está perdida, garotinha.
Eu estou suado e fodido neste labirinto sensual.
A sensualidade só pode ser um crime compartilhado.
O maior barato de estar aqui
É que ninguém sabe que você está perdido.
Andando pelas ruas, eu sinto
As delícias de um gozo primitivo
E assim recupero minha essência.
Olha estes prédios:
Eles nos encaram com a imponência
De um puro macho dominador,
Ou de uma dominatrix cheia de surpresas.
Tudo isso é devassidão,
Carícias de amores anormais,
Como aqueles que tivemos em Vitória.
E eu só bebo porque posso brindar a estas noites sujas;
Eu tenho tanta vontade de me perder
Que por vezes esta vontade me paralisa.
Mas eu me entendo.
A espera sempre vale como um sabor a mais.
Me espere.
Quando eu chegar,
Te deixarei de quatro
Pedindo por um pouco mais de força.
E você nem saberá onde foi que
Aprendi a dizer tantas palavras sujas.
Quando me perco dentro de você, pra mim é o paraíso.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Anseio por um tempo
Aquele tempo que tudo resolve
O tempo do Deus Sol
Que irradia exuberância
Que queima a pele e faz arder a alma
Um tempo onipotente e onipresente
O tempo da abonância
Mas as nuvens insistem em aparecer
E o sol a desaparecer
O céu escurece, as nuvens se enchem de água
Que cai como lágrimas de olhos cansados
De ansear
Por esse tempo
Que tudo resolve, mas nada dissolve
Autoria própria.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Leminski Leminski Leminski

um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegasse atrasado
andasse mais adiante

carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha

ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra



Donna mi priega 88

se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios

no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?

a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?



Erra uma vez

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes

já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez


Aço e Flor

Quem nunca viu
que a flor, a faca e a fera
tanto fez como tanto faz,
e a forte flor que a faca faz
na fraca carne,
um pouco menos, um pouco mais,
quem nunca viu
a ternura que vai
no fio da lâmina samurai,
esse, nunca vai ser capaz.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Liberdade aos homossexuais não basta.
Pois, liberdade sem direitos torna-se vazia,
silenciosa e cheia de vísceras.
Liberdade não é ponto, é por essência, transição.
A virtude de ser livre é uma passagem, uma meta, que na linha reta encontra uma liberdade liberta, e por reconhecimento, chegam às almas dos que discriminam, aos espíritos das leis e encontram a felicidade que é fim e não meio.
(minha autoria)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quase diário fantasiado pelo alterego ou Diálogo tentando conciliar id e superego

É tudo que eu preciso, um papel, uma caneta e um cigarro. Daí me lembro do aeroporto de São Paulo, e toda aquela nostalgia barata de ter viajado. Aquele sol aquecendo o corpo, nada além do corpo, e eu empenhada em fumar um cigarro, um desejo de um abraço e nada a minha frente (ou tanto concreto que chegava ao nada). Talvez um pouco mais pragmática. A objetividade é extremamente necessária aos loucos que se perdem tão fácil na dura realidade. Restaram lembranças, nada além de lembranças e meu corpo, com aquele cigarro barato que além de nostalgia me provocava náusea. De me empenhar a fumar, foi o que restou das lembranças de saber que sou latina. Latida, latente. Agora vou aprender a cantar. Quem canta não pode ser infeliz. Serei uma a(u)(r)tista completa, me aventurei nas artes práticas, escrita, e agora canto. Só na arte do amor é que me fodo. Mas também não dá pra ter tudo na vida, sou uma boa jogadora de buraco, e sabe como dizem: “sorte no jogo, azar no amor”. Lá se vai mais um com o coração partido. Não, espere! Aquele ali é um espelho. Pra cada dedo indicador apontado, outros três apontam pra você mesmo. É mais fácil amar uma ilusão do que a dura realidade. Sou a desengonçada tentando eternamente ajeitar a vida, não por opção, mas por não saber lidar com o cotidiano dos bancos mercenários, do concerto das máquinas, da burocracia de ser empregada, das monografias desafinadas, e por ter perdido metade da minha memória no meio do caminho (desmesmoriada por genética). Não sou lésbica, não sou puta, não sou drogada, mas por me simpatizar com eles e talvez respeitar tudo isso, acabo me tornando um deles. Deslocada do mundo que exige um pragmatismo que não consigo alcançar por ser desengonçada. Voltando ao aeroporto de São Paulo, tudo se resume ali, naquele sol e eu sozinha esperando algo que não sabia bem o que e como viria. Veio. Veio a vida é claro, inevitável. Estava voltando pra casa de um mês de viajem pela américa latina e tudo voltaria a ser como antes. Ter a liberdade tão desejada por todos não é fácil, carregar a cruz dos outros nunca é fácil, extravasar a loucura dos outros nunca é fácil (mas o mundo precisa de Jesus Cristo). Queria ser normal, já se foi, alguma coisa perverteu meu caminho, acho que ainda na barriga de minha mãe. Não quero ser hedonista, quero respeitar meus limites. Mas no aeroporto de São Paulo eu podia sentir que tudo era possível. E sempre restam lembranças. Não sei acabar este texto, porque a vida continua, e por ser demasiado pessoal, eu continuo a vida, meus amores insensatos, minha constante busca por pragmatismo, minha monografia interminada e eu aqui na fila do banco esperando horas pra ser atendida pra poder pagar minhas dividas. Minha senha chegou, levanto atordoada, catando caneta e papel e procurando meus óculos pra saber qual mesa deveria me dirigir. A moça atrás do balcão me sorri simpática e eu descomposta, meu caso não é tão grave assim. Mas eu agoniada: “fecha tudo moça, encerre todas as minhas contas” – ela ri. Eu definitivamente não sei mexer com isso. Por vezes perco minha caneta em meu cabelo e saio a procurar – “onde está a caneta que estava agora pouco aqui meu deus, me ajuda a procurar” – pra meia hora mais tarde encontrá-la prendendo meus cachos que agora não são mais tão cacheados assim. Tudo bem eu assumo minha culpa, mas tenho pavor de quem não assume a própria culpa, nada mais covarde. E agora eu tenho que carregar minha casa em minha bolsa por ter que passar o dia inteiro resolvendo pepino (quem inventou essa gíria?), mas tudo bem, eu sobrevivo à pão na chapa. Só preciso de um papel, uma caneta (e agora um cigarro) pra reinventar meu mundo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Parabéns aos poetas desconhecidos da mídia, poetas dos sertões, das mazelas, mas verdadeiros poetas brasileiros.

Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

O poeta Miguezim da Princesa é da Paraíba
Merece muito mais do que uma postagem.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres

Pagu.

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem

Para todas as libertinas e libertadas mulheres.
Em especial para as mulheres deste blog.

domingo, 8 de março de 2009

Momentos bizarros e tristes do mundo de Camila

A alguns anos parei de fumar maconha porque acreditava que o mundo tava ficando doido, e numa crise de alienista comecei a pensar que o doido deste mundo era eu, afinal coisas que para mim eram ridiculamente absurdas pareciam normais aos olhos da sociedade.
Pois bem, minha crise passou e volto a achar que doido é este mundo mesmo. Ainda mais quando leio no jornal que um padre excomungou uma menina de nove anos por ter feito aborto de gêmeos após ser estuprada por seu padrasto. E não satisfeito só com a negação de uma menina de 9 anos, excomungou o médico que realizou o aborto e a mãe da menina. O mais ridículo foi não ter excomungado o estuprador. Agora só falta a igreja querer legalizar o estupro.
Para mim não há tamanho para a hipocrisia da igreja que de uma maneira um pouco sutil acaba defendendo seus padres pedófilos e condenando meninas inocentes. O argumento que ele se utiliza é que os bebes não tinha culpa. Mas e a menina teria que pagar o preço pelo resto de sua vida.
Respeito quem não é favorável ao aborto. Mas para mim parece tão claro dar o direito a mulher decidir sobre seu próprio corpo, até porque não acredito que liberar o aborto vá fazer com que suas taxas aumentem, mas sim dar estrutura as mulheres que o querem fazer, e o fazem independente da legalização. E quem não é católico e não acredita nesse negócio de vida desde o embrião, não tem o direito de fazer sua escolha antes que uma igreja hipócrita descida por ela?
Sim, não tenho medo em admitir que sou totalmente favorável ao aborto, por mais polêmica que essa opinião possa parecer. Para mim, pior são as mulheres que realizam aborto com remédio e em clinicas clandestina que cobram absurdos e sem a menor infra-estrutura. E mesmo que não fosse a favor, acredito que cada indivíduo tem a capacidade de decidir o que é melhor para sua vida, mesmo que eu não concorde.
Achei a postagem coveniente para hoje, já que dia das mulheres. E gostaria de lembrar de um grupo de mulheres católicas favorável ao aborto, composto inclusive por freiras e que se intitulam:
MULHERES PELO DIREITO DE DECIDIR.
pra quem quiser saber mais é só procurar no google.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Momentos bizarros e engraçados do fantástico mundo de Camila (rs.)

Ontem vi uma reportagem do ESTV primeira edição sobre consumismo. Em uma parte da reportagem entrevistaram um rapaz, acredito que tenha entre 25 e 30 anos, ganhava cerca de mil reais por mês, negro ou mulato se preferir (tenho um pouco de aversão a este nome, até medo de pronunciar, coisa de cientista social, sabe? Mas ainda não achei outra palavra pra designar nós mestiço, e como pra mim pior que mulato é dizer moreno ou moreninho... comecei a achar que cor de mula nem é tão ruim assim, passei a ver como uma forma cultural de dizer, afinal porque ter cor de mula é tão ruim? eu sei que tem um monte de simbolismo negativo mas tomei a decisão na minha vida de ver as coisas pelo lado positivo, a mulinha é tão bonitinha, trabalhadora, agüente firme o tranco, isso não pode ser tão ruim assim,.... enfim... não é isso que eu quero dizer). Fizeram um teste com o rapaz para saber se ele era consumista e o resultado, me pareceu óbvio até, foi que SIM, ele tinha o perfil de uma pessoa consumista e mão aberta (eles realmente usaram este termo, que aliás eu adoro... melhor que mão-de-vaca) Olhando pra cara do moço com meu olhar biônico que disseca tudo, mesmo que no mundo da fantasia, o moço tinha mesmo cara de quem gostava de bancar uma cervejada num churrasquino com os amigos (quer coisa melhor na vida?... me desculpem os vegetarianos deste blog, rs). Mas o mais legal foi a resposta do cara... me surpreendeu. Enquanto todo mundo ficaria preocupado com isto, repensando a economia doméstica, ele disse algo do tipo.... “que bom né, isso é bom! O Brasil ta precisando que a gente consuma mesmo, pra sair da crise, com essa crise o melhor é consumir pra ajudar o país, eu to fazendo minha parte...”
Eu amo o patriotismo deste povo, rsrsrsrs.
E não foi isso que o Lula disse!?!?!
Até o cara que fazia a reportagem ficou surpreso com a resposta, um pouco sem saber o que dizer.... Afinal a reportagem era pra dizer que devemos controlar o nosso consumismo e poupar um pouco.
Pois bem, bem vindos a sociedade do consumo!
Eu também faço minha parte... o pouco que me cai as mãos gasto tudo com cerveja, rs. Talvez por isso tenha me simpatizado tanto com o moço... se ele gostar de uma cervejinha como eu imaginei no fantástico mundo de Camila.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ofiovermelho

A vida está por um fio.
Fio elétrico,
fio de angústia,
fio de prazer, telefônico,
digital.
O computador imita o cérebro
e o fio o coração.
Ontem salvei-me por um fio,
um tiro de raspão.
Uma polícia comunica outra,
que comunica outra,
que comunica outra;
não usam fio,
só o maldito rádio.
O quarteirão está cercado.
Os reféns: você e eu. Nós.
Começa o tiroteio,
VOCÊ MORRE,
eu me salvei pelo triscar de um fio.
A notícia se espalhou.
O equilibrista em cima do fio quase caiu,
quando viu aquele tablóide vil:
EU ESTOU VIVO!
O fio da navalha
corta o céu da boca em tons vermelhos.
Não adianta gritar! Cortei o fio do telefone.
Não há choro que me valha.
O fio umbilical está enrolado no pescoço do meu filho.
SOCORRO!
Minha mulher é um poste,
com a cabeça repleta de fios emaranhados.
O rio caudaloso, d’águabundante
Não passa agora de um fio quase partido
A mulher secou!
A polícia atira filas e fios de chumbo
Meu rosto só sabe escorrer fios d’água vermelha.
Fio de uma grande puta.
Qual títere que corta o fio da confiança
De quem o controla, de quem o manipula,
E foge não deixando nem um fio de poeira,
E foge... e foge... e não faz outra coisa que não seja fugir.
Alucinado qual criança.
Foge pra não precisar admitir que não sabe dançar sozinho.
De que vale um equilibrista sem a altura do fio esticado?
Pronto, o filho morreu.
Você e o filho estamortos
E se mortos, estáticos.
Paralisados de um furor nunca visto,
Mostram vísceras imensas.
Se ontem me salvei
É porque os intrépidos estão mortos.
Fio de repente um tapete mágico,
Com fios de diamante macio,
Para que os fortes limpem seus sapatos.
A lâmina é sutil até o ponto
Onde o fio nem é tão afiado assim.
Se ontem me salvei
É porque não há consenso,
Não há fio que valha o estupor,
Não há lágrima que valha o choro,
Todo fio tem seu fim
Todo fio tem seu início,
No começo mesmo do mundo
Onde as vozes’inda não ecoavam
Onde o fio nem era tão afiado assim.
Não há fio contínuo
Nem tão pouco separado.
A própria contra-mola é um fio retorcido
Que resiste à força de ser reto
No anteparo obliquo
Que separa por um fio
O presente do futuro.
é sobre seu imenso corpo
que escorre o fio do azeite
e rodelas de cebolas, um ornamento
lá no local onde se fia
exatamente o fiador.


Foi isso! Retirava dos dentes o fiapo
Enquanto assistia traquilamente
A tv do fiasco.

Autor desconhecido.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pareço Moderno (eu sei... rsrsrsrs)

Gosto de cinema, ponto
vivo cheio de manias
tenho uma certa ...
pré-dislexia

Às vezes eu surto mesmo
mudo de assuntos
sumo e não assumo
a minha lucidez

Pareço moderno a te procurar

Caio na balada, admito
Alimento meu espírito
com litros de café
e saio pra dançar

Sempre quando acordo cedo
crio uma canção maluca
ligada ao sonho e homenagem a Tua

Pareço modernoa te procurar

Toda vez que eu a encontro
perco o chão, fico sem jeito
quero trucida-la
a esmo
e não partirei enquanto não conseguir meu feito

Sei que pego mal contigo
minha nóia eu não escondo
Sérgio Sampaio vai chegar pra lhe dizer

que eu, que eu, que eu

Pareço moderno,
pareço Roberto
a te procurar

(Cérebro Eletrônico)