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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pareço Moderno (eu sei... rsrsrsrs)

Gosto de cinema, ponto
vivo cheio de manias
tenho uma certa ...
pré-dislexia

Às vezes eu surto mesmo
mudo de assuntos
sumo e não assumo
a minha lucidez

Pareço moderno a te procurar

Caio na balada, admito
Alimento meu espírito
com litros de café
e saio pra dançar

Sempre quando acordo cedo
crio uma canção maluca
ligada ao sonho e homenagem a Tua

Pareço modernoa te procurar

Toda vez que eu a encontro
perco o chão, fico sem jeito
quero trucida-la
a esmo
e não partirei enquanto não conseguir meu feito

Sei que pego mal contigo
minha nóia eu não escondo
Sérgio Sampaio vai chegar pra lhe dizer

que eu, que eu, que eu

Pareço moderno,
pareço Roberto
a te procurar

(Cérebro Eletrônico)

sábado, 29 de novembro de 2008


Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Bom Conselho
Composição: Chico Buarque

terça-feira, 13 de maio de 2008

Na noite passada sonhei que alguém me amava...

Noite passada sonhei que alguém me amava, e que o amor significava algo além de uma palavra que necessita de muita poesia para existir. Sonhei que todos os meus sentimentos eram tangíveis e que não era preciso mais que olhares para ser compreendida. Sonhei que pacientemente ela estava ao meu lado, apenas a observar minha face úmida, vermelha de lágrimas incessantes que haviam caído por uma semana inteira. E ela, bela e honesta, olhava-me e amava-me. Neste sonho ela era tudo que meu coração precisava, ela era uma entidade certa e densa. Nela continha minha tristeza e alegria. Seu olhar profundo me coagia, mas também me aquietava. Ela era grande, muito maior que eu. Na noite que nos encontramos em sonho o mundo era noturno. Justo nós que temíamos a noite, não pelos medos que ela nos remete, mas pelas alegrias que apenas a noite contém. Então, sentadas na calçada nós estávamos mais unidas do que estaríamos em qualquer cama de motel. Eu chorava porque sabia que ela me amava, e ela, com uma paciência rara em um ser, ficou por horas parada ao meu lado. E eu chorava por uma semana inteira. Solucei ao seu lado, tão agressivo quanto afetuoso. Na noite passada eu sonhei que alguém me amava e me aterrorizei por isso. Quando olhei para o lado entendi que ela, que estava sentada a me olhar constantemente, vi que mesmo tendo os olhos azuis seus olhos possuíam o mesmo brilho de todas as outras que já estiveram ao meu lado, e que este brilho poderia me cegar se eu olhasse muito em sua direção.
Quando acordei entendi que ela estará sempre comigo, mesmo que nós nunca consigamos nos compreender tão simplesmente, mesmo que nossa relação seja sempre um mar turvo e complicado. Ela sempre existirá em minha vida, ela sempre me fará perceber que as amigas são uma entidade muito além de qualquer imaginação. Ela sempre aparecerá em sonhos para me dizer que essa palavra que humano alimenta, o amor, não passa de uma invenção, e que o único sentimento perfeito e, necessariamente incompreensível, é a amizade.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Frio e seus Encantos

Viver é diluir-se, Leila sabia muito bem disso. Sabia que é preciso se dissolver no inesperado, ela sabia que só no desconhecido poderia encontrar, surpreendida, o que deseja. Ela que não sabe o que deseja, só por aquilo que não anseia corre o risco de se encontrar. Ela é como alguém que na procura de vida só procura pessoas. Seus prazeres são compartilhados, sua felicidade só pode ser se for com mais alguém.

Depois de seu rituoso preparo, olhou-se no espelho e deixou-se seduzir por completo pelo frio e saiu de sua aquecida casa com o tom mais vivo de vermelho que possuía nos lábios. Caminhando cambaleante no salto - já havia esquecido como era caminhar em cima daqueles finos saltos - ela foi ao encontro do rapaz que lhe chamara para beber vinho. Conhecera-lhe poucos dias antes e não entendia direito ainda se estava saindo de casa pelo convite do rapaz ou pela sedenta vontade de sentar-se ao sereno da noite na calçada de um bar, sonhando estar em uma calçada de Paris. As calçadas sim eram algo que seguramente lhe agradavam.

O ônibus em que Leila estava parou para recolher passageiros no ponto que se localizava em frente a uma loja de acessórios. Leila prestou atenção para a ostensiva tela que ficava no lugar de maior destaque da loja. Era a imagem de uma mulher pintada e adornada com pomposos acessórios, idênticos aos que estavam expostos na vitrine, que cobria uma parede inteira. Olhando para a pintura Leila reparou que no fundo da loja, sentada atrás de uma solitária mesa, estava a mesma mulher, tão menor que a da pintura pendurada na parede de destaque, com um altivo e ao mesmo tempo perdido olhar. Dispôs-se então, como que para passar o tempo, a tentar entender o que uma mulher que expõe tão soberbamente sua própria pintura estaria sentindo. Seria a amargura que ao brotar em seu intimo a estava envelhecendo? O destino era personagem constante na mente de Leila, ela não cansava de pensar e imaginar como a sucessão dos fatos pode ser surpreendente. Imaginar os pensamentos das pessoas lhe fazia bem, assim ela vivia.

(continua...)